A bondade

Acordo ao som das crianças a brincar, os pais começaram a trabalhar cedo na construção de uma casa que sonhavam um dia vir a ter. Os filhos, alguns mais crescidos e outros bebés, vão arranjando formas de aproveitar o dia da melhor forma possível. A isto poderia chamar-se na Europa como “o dia de levar os filhos ao trabalho”.


O dia vai passando e encontro-me num café e diante de mim vejo das coisas mais bonitas que vi nos últimos tempos. Na esplanada está um jovem sentado e surgem depois dois meninos que, entre risos, sentam-se nos bancos ao lado para aproveitar o vento fresco que uma ventoinha fornece. E não, claro que ninguém do café vai aborda-los dizendo que só se podem sentar se consumirem (são crianças por amor de Deus), mas a beleza da situação surge com o jovem. Começa a falar com os meninos e tira da mochila o seu portátil Mac para eles verem e os dois rapazolas começam a delirar! Tiram fotografias com o computador, põem as mãozinhas nos ombros do jovem enquanto se divertem a olhar para o ecrã... Ai Delhi, o quão bonita consegues ser.


Apesar de toda a sujeira da rua, consegues pintar um quadro lindo a partir da bondade de um jovem que apenas quis proporcionar um bom momento aos meninos que, a julgar pelas t-shirts rasgadas, provavelmente nunca tinham visto um portátil de perto. Não importa a beleza de qualquer sítio do Mundo se nele viverem pessoas feias por dentro. A beleza de uma rua, cidade e até país faz-se, sim, a partir do bom coração das pessoas.




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